domingo, 30 de junho de 2013

Platônico.


Oi, gente!
Meu nome é Letícia Protasiewicz (Lê, Lelê, Leti, não precisamos ser tão sérios, tá?), tenho 15 anos e sou da capital de São Paulo. Agora, a nova colunista do "Desatando Nós". Para estrear, vamos falar de sentimentos? Vou compartilhar uma crônica de minha autoria. Espero que gostem e lembrem-se que nosso ponto de encontro é sempre aqui!



Às vezes, é o suficiente olhar pra você. É o que me arranca sorrisos todos os dias saber que te vi, e de alguma forma, nossos olhares se cruzaram, e nossos sorrisos se abriram. É o suficiente responder seu nome quando me perguntam de quem eu gosto. Ou simplesmente tê-lo como um segredo, porque pelo menos nisso, você pode ser só meu.

Tento apertar os passos pra poder andar ao seu lado, é a minha alegria infantil imaginar quão bom seria você mais perto, mesmo sabendo que, na mesma proporção que eu penso em você o tempo todo, não é em mim que você pensa. Só é uma doce ilusão eu achar que nos amamos de longe e não sabemos. Que todas essas indiretas, conversas, tudo isso aí é sobre mim. Que coincidência seria! Poderíamos contar uma história bonita pra todo mundo, não poderíamos? Fico pensando como seria a gente juntos, até eu conseguir pegar no sono. E sonho com sua imagem, que é o melhor q
ue tenho de você. Ou talvez um “oi” tímido, o máximo que meu coração acelerado, as borboletas no estômago, as pernas bambas e o suor nas mãos permitiriam.

Tento imaginar você sendo o amor da minha vida, e quantos sorrisos bobos só de pensar... Porém, o conselho de mãe é que isso não chegará a lugar algum. E é nessa fase que a gente não dá ouvidos, que a gente fala “eu ainda vou casar com ele!” – sem ter a menor noção de que não é só amorzinho que faz juntar as escovas de dente e que nas ficções tudo vem pronto, e se você ouvisse isso, provavelmente daria risada, quando na verdade eu queria que você estivesse ali pra me defender.

Se você soubesse o quão especial é pra mim, e de cada momento que a gente passou na minha mente, concordaria que desfrutamos do mais puro, intenso e profundo amor. Aí é que eu acordo com uma realidade frustante. A minha mãe está certa, e é como se estivesse começando a chover quando eu ignorei o seu pedido de levar o guarda-chuva antes de sair de casa. A minha diversão é tentar te decifrar de longe: ouvir as histórias dos outros, olhar seu perfil em redes sociais só pra saber como você pensa ou se você vai revelar pelo menos um pouquinho do que você gosta em alguém. E aí, vou cometer um grande erro: tentar me tornar essa pessoa. Até posso fingir que seu filme favorito é um que adorei também, mas a verdade é que eu nunca o assisti, e se disser que assisti, pode ficar sabendo que eu o aluguei e sofri de sono durante ele todo só pra dizer que sim sem ter que mentir. A música que você mais gosta de ouvir não causa as sensações que eu gosto de sentir ao ouvir alguma. E ter uma paixão platônica não causa as mesmas sensações de um amor de verdade.

Juro que você não tem culpa de nada, tudo é raiva minha por você nunca ter se aproximado, tudo sou eu questionando a mim mesma o que essas meninas tem que eu não tenho (talvez a resposta seja “seios grandes”), tudo é distração minha que me rende notas baixas, brigas, tudo sou eu sozinha e você nem sabe que essa é a causa da felicidade e da desgraça da minha vida. E o pior: descobri que eu não te amo. Acho até que ficaria assustado se eu dissesse que sim, mas eu ainda tenho um pouquinho de consciência, tá? Só que tarde demais para isso. Eu apenas amo a sensação de estar apaixonada platonicamente e nem saber definir o que é isso. Tanto me agrada essa magiazinha.

Sou romântica, gosto de ter alguém para admirar, para me fazer acreditar, busco e defendo o amor eterno e sincero, e talvez isso seja só uma lembrança perdida na minha memória. Mas desculpa aí, acho que não aguentaria passar a minha vida toda falando palavras ensaiadas, não ia aguentar todas as noites em claro treinando minhas expressões e o sorriso mais lindo no espelho (não tão lindo se fosse espontâneo, dica). Acho que iria sair correndo se não agisse naturalmente, se você não me amasse com cara de sono e se a gente não pudesse se beijar depois da gente acordar lado a lado, como em uma propaganda de pastas de dentes.

Afinal, a ficção pode ser prontinha, mas é isso o que acontece nelas. Você apoiaria minhas ideias malucas ao invés de me achar uma completa idiota. Aliás, que mal tem eu não gostar tanto daquela música, ou dormir no meio do seu filme preferido? Alguma coisa podemos ter em comum! Por exemplo, aquela parte branca do olho, mais conhecida como esclera. Ok, tô sabendo. Mas se isso era uma receita para o fim da angústia, não deu certo. A esperança é a última que morre. E, você tem certeza que a gente não tem nada a ver? Ainda não sei o que fazer para te esquecer...



5 comentários:

  1. Nossa que lindo, eu já passei por isso que você escreveu e estou passando ate hoje, a parte q eu mas gosto dessa sensação é de antes de dormir ficar imaginando como seria se nos dois estivessemos juntos!!
    xoxo

    Inventando Moda

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  2. NOOOOOOOOOOOOOOOSSA, que lindo e perfeito, me identifiquei muito, ja pensou em escrever um livro? se for fazer fale primeiro para mim, porque eu vou ser a primeira a comprar, rs.

    beijao,
    pensamentosdecoelho.blogspot.com

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